sexta-feira, 22 de março de 2013

Do que sei?

Como qualquer jovem pretensioso, ouso e me julgo um poeta. Como um poeta, a minha vida vai à tinta. Como ela vai à tinta, me julgo um chato pela necessidade de reflexão. Como toda confusa confissão, julgo a urgência de um segundo ponto de vista. Como este poema precisa ser avaliado, julgo ser você talvez a pessoa mais indicada, por tantos beijos e minutos compartilhados em uma só noite.



Sei que a madrugada foi singular
Que bem se pareceu a outras de outros outonos
Que os beijos eram intermináveis
Que os semblantes eram indistinguíveis
Que o impulso não condizia com o ambiente
Que o etílico tava na barriga
Que o gasoso tava na mente
Que a culpa estava longe
Que tinha batom no dente
Que a música enervava os sentidos
Que as lembranças ficaram vívidas
Que as lágrimas inexistiam
Que a chama não podia se apagar
Que os sorrisos abundavam
Que o vício era pelo presente
Que o amanhã não seria possível
Que a divagação era inerente
Que ainda espero um dia ser alguém
Que tenha lapsos de consciência
Que possa transparecer a minha essência
Que disso talvez alguém saiba
Que modo melhor para poder me explicar

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