Olhas pra cima
Azul, branco, preto e amarelo
Tudo bem, maravilha?
Já pensou no tapa?
Sim, o bloqueio!
Tapa-se a visão
Impossibilita-se o dislumbrar
Vejas as nuvens
Rumando a norte ou sul,
Vindo do leste ou oeste
Tanto faz
Imagines apenas um assopro,
Espalhar das moléculas
Uma pra cá
Outra pra lá
Fito a porta,
As chaves
E a fechadura
Me pergunto se quiçá
Quiçá vem café,
Um salgado,
Uísque aí, vai?
Aos meus lados
Brumas se aprontam
Bombas se desfazem,
Pula a água
Jogam os braços.
Fico assim sem nada,
Sem saber assim
Sem nada saber
Sem saber do resto
Sem o resto do fim
Sem as intrigas do fim
Sem o fim da noite
domingo, 31 de março de 2013
Pergunte ao patrão
O embaralhar das cartas
Os pormenores da noite
O entorpecer da cota imaginativa
Derramam fulgores debaixo de pés
Imundos, escuros
Números primos no universo N
Sem alardes,
Se purificam
A família de todo dia
Arroz, feijão e carne
Passa, lava e arruma
A família dos fins
Breja, erva, nova
Bebe, fuma, fode
Tudo vem
Tudo vai
Se estão prontos ou não
Estabelecem conexão profana
O pecado do lado do beato
Range os dentes
Unge as secas
Sacode o bolso
Incha o filho
Impede a passagem
Da vergonha preparada
Por um embarasso,
Simples ou complexo
Olho por olho
Dente por dente
(Pergunte ao patrão)
Os pormenores da noite
O entorpecer da cota imaginativa
Derramam fulgores debaixo de pés
Imundos, escuros
Números primos no universo N
Sem alardes,
Se purificam
A família de todo dia
Arroz, feijão e carne
Passa, lava e arruma
A família dos fins
Breja, erva, nova
Bebe, fuma, fode
Tudo vem
Tudo vai
Se estão prontos ou não
Estabelecem conexão profana
O pecado do lado do beato
Range os dentes
Unge as secas
Sacode o bolso
Incha o filho
Impede a passagem
Da vergonha preparada
Por um embarasso,
Simples ou complexo
Olho por olho
Dente por dente
(Pergunte ao patrão)
sexta-feira, 22 de março de 2013
Do que sei?
Como qualquer jovem pretensioso, ouso e me julgo um poeta. Como um poeta, a minha vida vai à tinta. Como ela vai à tinta, me julgo um chato pela necessidade de reflexão. Como toda confusa confissão, julgo a urgência de um segundo ponto de vista. Como este poema precisa ser avaliado, julgo ser você talvez a pessoa mais indicada, por tantos beijos e minutos compartilhados em uma só noite.
Sei que a madrugada foi singular
Que bem se pareceu a outras de outros outonos
Que os beijos eram intermináveis
Que os semblantes eram indistinguíveis
Que o impulso não condizia com o ambiente
Que o etílico tava na barriga
Que o gasoso tava na mente
Que a culpa estava longe
Que tinha batom no dente
Que a música enervava os sentidos
Que as lembranças ficaram vívidas
Que as lágrimas inexistiam
Que a chama não podia se apagar
Que os sorrisos abundavam
Que o vício era pelo presente
Que o amanhã não seria possível
Que a divagação era inerente
Que ainda espero um dia ser alguém
Que tenha lapsos de consciência
Que possa transparecer a minha essência
Que disso talvez alguém saiba
Que modo melhor para poder me explicar
terça-feira, 19 de março de 2013
Terra das contradições
Terra de Deus
Terra de cegos
Terra de surdos
Terra dos latifúndios
Terra dos senhores
Terra dos escravos
Terra, terra, terra
Mercúrio, Vênus e Terra
Detonando em granada
Minha contagem se emperra
O alicerce de tudo é a terra,
A terra da terra é o pobre
Terra de miséria
Terra de favela
Terra dos negros
Terra das pulsões
Terra das crises
Terra da distância
Terra do desconhecer
Terra do medo
Terra do tiro
Terra da guerra
Terra da morte
Por pouco se muda o enredo
Sobrevivendo a terra se acolhe,
Procurando resquícios humanos
Na falta do acumulo material
Virando terra dos sonetos
Terra dos encantos
Terra do terreiro
Terra da vida
Terra do samba
Terra dos batuques
Terra das rimas
Terra dos amores
Terra dos olhares
Terra dos sorrisos
Terra das paixões
Terra das contradições
Terra de cegos
Terra de surdos
Terra dos latifúndios
Terra dos senhores
Terra dos escravos
Terra, terra, terra
Mercúrio, Vênus e Terra
Detonando em granada
Minha contagem se emperra
O alicerce de tudo é a terra,
A terra da terra é o pobre
Terra de miséria
Terra de favela
Terra dos negros
Terra das pulsões
Terra das crises
Terra da distância
Terra do desconhecer
Terra do medo
Terra do tiro
Terra da guerra
Terra da morte
Por pouco se muda o enredo
Sobrevivendo a terra se acolhe,
Procurando resquícios humanos
Na falta do acumulo material
Virando terra dos sonetos
Terra dos encantos
Terra do terreiro
Terra da vida
Terra do samba
Terra dos batuques
Terra das rimas
Terra dos amores
Terra dos olhares
Terra dos sorrisos
Terra das paixões
Terra das contradições
quinta-feira, 14 de março de 2013
Triste luta triste
Por lá perpassam proibidas toxinas
Extravasando o alívio
De um passado angustiado
E um futuro premeditado
Aos sete mares
De Heitor e Páris
As mais belas das mais belas ilhas
Desfilam sem pares
Pois todas estão destinadas ao mesmo
Mesmos odores
Mesmos pudores
Mesmas cores
Não vivendo grandes amores
Muito menos extremas dores
De fato cheiram das melhores flores
Mas seus pais, ora eles,
Investigam falsos horrores
Tais crimes dos infratores
Que penam por um lugar na terra dos senhores
Das leis do Darwinismo Social
Provém o imundo consumismo material
Travestindo os amigos de democracia
Pronunciam-se os grandes ditadores
Disseminando o valor do patriarcal
Assim lhes apresento os opressores
Sedentos por uma sociedade medieval
Porém reluto por um puto
Nas noites em claro tenho estudado
O que já dizia o velho crucificado
"Que vá de cada um,
De acordo com as suas habilidades
Para cada um,
De acordo com suas necessidades" (!)
Muito se passou
Nada se ouviu
Pouco adiantou
Pois encarregados ficaram
Os lordes da disparidade,
Os mestres da debilidade,
A cumprir tal bondade
Porém o tom era de vingança
E se passando por caridade
Aos pobres deram cintos de castidade
Sem dó nem piedade
Ó triste luta triste
De nós para nós
Ninguém nos assiste
Ó triste luta triste
É em voz, terra e pão
Que nossa luta consiste
Ó triste luta triste
Levanta-te
E vê se não desiste!
Extravasando o alívio
De um passado angustiado
E um futuro premeditado
Aos sete mares
De Heitor e Páris
As mais belas das mais belas ilhas
Desfilam sem pares
Pois todas estão destinadas ao mesmo
Mesmos odores
Mesmos pudores
Mesmas cores
Não vivendo grandes amores
Muito menos extremas dores
De fato cheiram das melhores flores
Mas seus pais, ora eles,
Investigam falsos horrores
Tais crimes dos infratores
Que penam por um lugar na terra dos senhores
Das leis do Darwinismo Social
Provém o imundo consumismo material
Travestindo os amigos de democracia
Pronunciam-se os grandes ditadores
Disseminando o valor do patriarcal
Assim lhes apresento os opressores
Sedentos por uma sociedade medieval
Porém reluto por um puto
Nas noites em claro tenho estudado
O que já dizia o velho crucificado
"Que vá de cada um,
De acordo com as suas habilidades
Para cada um,
De acordo com suas necessidades" (!)
Muito se passou
Nada se ouviu
Pouco adiantou
Pois encarregados ficaram
Os lordes da disparidade,
Os mestres da debilidade,
A cumprir tal bondade
Porém o tom era de vingança
E se passando por caridade
Aos pobres deram cintos de castidade
Sem dó nem piedade
Ó triste luta triste
De nós para nós
Ninguém nos assiste
Ó triste luta triste
É em voz, terra e pão
Que nossa luta consiste
Ó triste luta triste
Levanta-te
E vê se não desiste!
terça-feira, 12 de março de 2013
Jogo de xadrez
Como se das minorias a culpa fosse,
O verbo é esmagado
Arregaçado
Triturado
Rasgado
Misturado em extremas emoções
Canta-se o veneno
Da lata ou sem pata
Não importa quem se atrasa
É tudo questão de estratégia
Se ficar o bicho come,
Se correr o bicho pega,
O homem preso ao que é seu e nada mais
"Pelo progresso, marchemos!"
Mas do que adianta?
Do que adianta sentar e olhar,
Parar para ver o ego inflar
Não inibidas pelos álibis
Convicções ao vento se espalham,
Loucura, lavagem e tolice
Dificultam a difusão ideológica
O fundir dos povos
O unificar do trabalho
A profusão da liberdade
São desfeitas
Por vezes até destroçadas
Humilhadas
Sangradas
Por pequenos grandes canalhas,
Vítimas de suas próprias inseguranças
Criando suas próprias leis
Coroando seus próprios reis
Mestres apenas da altivez,
Os donos da mais bela vista
"Também podem vocês"
É o que dizem
Em vezes, um chega no topo do morro
Fazendo servir
A esperança como pão
E a raiva como terra
Se usar o aPito,
Famoso entre os cabeludos,
Vira alvo da demonização
Dos padres do culto aos frescos
Permeados pelo rigor, disciplina e resguarde
Unidos deram golpes
Já considerados revoluções
E ainda orquestram câmaras secretas,
Indiretas e indiscretas
Negociam o valor da cidadania
Se pondo a recolher altas taxas
No tangível,
No intangível
No imperceptível
Empreendendo uma nova Pasárgada
Não em prol do coletivo
Mas para um, dois ou três
Poderem se deliciar nas cristalinas águas
Com baixa fiscalização
E muita embriaguez
O verbo é esmagado
Arregaçado
Triturado
Rasgado
Misturado em extremas emoções
Canta-se o veneno
Da lata ou sem pata
Não importa quem se atrasa
É tudo questão de estratégia
Se ficar o bicho come,
Se correr o bicho pega,
O homem preso ao que é seu e nada mais
"Pelo progresso, marchemos!"
Mas do que adianta?
Do que adianta sentar e olhar,
Parar para ver o ego inflar
Não inibidas pelos álibis
Convicções ao vento se espalham,
Loucura, lavagem e tolice
Dificultam a difusão ideológica
O fundir dos povos
O unificar do trabalho
A profusão da liberdade
São desfeitas
Por vezes até destroçadas
Humilhadas
Sangradas
Por pequenos grandes canalhas,
Vítimas de suas próprias inseguranças
Criando suas próprias leis
Coroando seus próprios reis
Mestres apenas da altivez,
Os donos da mais bela vista
"Também podem vocês"
É o que dizem
Em vezes, um chega no topo do morro
Fazendo servir
A esperança como pão
E a raiva como terra
Se usar o aPito,
Famoso entre os cabeludos,
Vira alvo da demonização
Dos padres do culto aos frescos
Permeados pelo rigor, disciplina e resguarde
Unidos deram golpes
Já considerados revoluções
E ainda orquestram câmaras secretas,
Indiretas e indiscretas
Negociam o valor da cidadania
Se pondo a recolher altas taxas
No tangível,
No intangível
No imperceptível
Empreendendo uma nova Pasárgada
Não em prol do coletivo
Mas para um, dois ou três
Poderem se deliciar nas cristalinas águas
Com baixa fiscalização
E muita embriaguez
segunda-feira, 4 de março de 2013
O que sou?
Eu sou o baseado,
Os orgasmos,
As doses,
A água,
E o café também
Posso vir a ser o cabelo
A barba,
A voz,
O olhar,
Um rosto
Se não quiser ficar fora do compasso
Viro o samba,
Entretido por atabaques
Terreiros
E centros de umbanda
Caso decida entrar na escola,
Hei de vislumbrar
Me tornar literatura,
O marxismo,
A luta de classes,
E talvez um dia,
A revolução
Os orgasmos,
As doses,
A água,
E o café também
Posso vir a ser o cabelo
A barba,
A voz,
O olhar,
Um rosto
Se não quiser ficar fora do compasso
Viro o samba,
Entretido por atabaques
Terreiros
E centros de umbanda
Caso decida entrar na escola,
Hei de vislumbrar
Me tornar literatura,
O marxismo,
A luta de classes,
E talvez um dia,
A revolução
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