quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sonhos

Sonhos vulgares,
Ideais inatingíveis
Ideias transtornadas
Devaneio irreparável
Do que se faz o homem?
Se não for pra pensar,
Se não for pra imaginar,
Se não for pra se deliciar,
Se não for pra fugir,
Se não for evasivo,
Se não for sublime,
Do que se faz o homem?

Das chamas irreconhecíveis
Dos meandros indesejáveis
A bateria do ser
Move-se o homem pelo sonho
Querer o progresso
Dar perfeição ao futuro
Esperar pelo melhor
O passado não existe
O presente não importa
Do futuro que se espera

Um espetáculo sem fim,
As cortinas não se fecham
Fortalezas estão abaixo
Restrições onde?
Delicias pelo livre
O que quiser irá aparecer
Sem senhores, amos, pudores

A fumaça não se filtra
A água não se cerca
O uísque não acaba
Demônios apaixonantes que não são,
Escurecem suas raízes
Abandonam suas mães
E pedem licença para passar
Mesmo sem ter que pagar

Todos os fogos o fogo

Chama dos amores,
Faísca do câncer,
Brinde da fumaça
O fogo
Um mestre gasoso
Da química entre corpos
Do amanhecer das folhas
Ao repúdio ao parnasianismo
À idolatria pela autonomia

Fulguras, ó Brasil, florão da América
Pregas diálogo
Nem tudo que pode à bélica
Mediante gritos de socorro,
Fogo!, grita o comandante
Inspira o soldado
Espirra a pólvora aos lados
Jorra o sangue inimigo

Por muito tentei não acreditar
"Por nós este nos deu sangue"
Que diabos?
Qual é esta visão?
Morrer a que troco?
Coragem ou imbecilidade?
Dizem jamais abandonar o campo de batalha,
Sem saber o porquê de nada
De estar ali ou pra quê ou pra quem

Por estes,
Calafrios vazios me chegam
Justamente como agora:
Por vezes vejo as belas donzelas
Nem esforço
Elas vem até mim,
Ora elas lindas encantadoras,
Lágrimas duronas,
Olhares encabulados,
Receando respostas concretas

Que se movem as veias?
Sangue?
Oxigênio?
Amor?
Paixão?
Ousa-te,
Proclame um novo ardor
Diga que é o tesão
Um qualquer fogo motiva
Impulsos inebriantes,
Rebuliços incontroláveis,
Combustão involuntária

Por favor não me queima,
Por favor não se derrube,
Por favor fogo fogoso,
Por favor fique na tua,
Por favor fuja e rebole,
Por favor sambe o funk sem vergonha

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Liberto ou existo?

Colocar a ordem no lugar?
Qual é este?
Debaixo da mesa?
Pelo visto sim,
Onde se cata migalhas

Progresso para quem?
Não se extingue a palmatória
O caos das esquinas,
Problematizando as cores
Quem assim andar,
Nunca mais será visto!
Colocando sangue nos olhos aos palavrões
Quem assim falar,
Nunca mais será visto!
Perdendo a paciência com as roupas
Quem essas usar,
Nunca mais será visto!

Trabalhando com possibilidades
De luta ou apatia,
Do tangível ao infinito,
Qual a postura contra a burguesia?
Na penumbra da indecisão,
A fumaça toma conta
Não se descuidando pela hegemonia
Pois à porta bate a cirrose!

Que puta escravidão!
Não bastassem os trabalhos ímprobos,
A sifilítica consciência me corrói
Peço perdão e que me julgue com carinho,
Porém sempre hei de lhe indagar
Quem são essas pessoas?
Onde estou?
Que sociedade é esta?