sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O 11 de Setembro e o 11 de Janeiro

 
 
Há 10 anos quase 3000 pessoas morreram nos ataques de 11 de setembro, é só isso que se vê na TV e jornais agora, na véspera dos atentados, como se fosse motivo pra comemorar... ou quem sabe promover um luto tardio, quando queremos é esquecer esta tragédia bárbara e a guerra estúpida que gerou.

Há muito menos tempo, 8 meses atrás, os deslizamentos na Serra do Mar do estado do Rio de Janeiro, mataram em torno de 1000 pessoas. Foi um desatre natural e não um ataque terrorista. Terrorismo é o que passam as famílias desabrigadas e os que são obrigados a viver em áreas de risco, sabendo que as chuvas voltam e que a tragédia pode se repetir a qualquer momento.

Com trabalho e recursos próprios, muitas pessoas reconstruiram casas que foram destruídas na enchente, no mesmo local, sem serem impedidas ou conscientizadas de que o risco ainda existe e que a experiência mostra que inundações e deslizamentos vão acontecer novamente. Segundo estudos publicados ainda no início do ano pelo DRM-RJ com a colaboração de geólogos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UFRJ e PUC-Rio, as chuvas que a deflagraram a catástrofe não foram excepcionais. Já ocorreram desastres semelhantes em 1978, 1979 e 2002 como decorrência de trombas d'água. Um aspecto marcante das chuvas que atingiram a serra em janeiro foi a intensidade em um período de 15 minutos, segundo o estudo.

A intervenção do homem no solo não foi descartada como um dos fatores da tragédia. No entanto, o estudo diz que a maior parte dos deslizamentos ocorreria de qualquer forma, evidenciados pela ocorrência de escorregamentos em diversos pontos de áreas naturais, não tocadas pelo homem. Nos desastres de 1978 e 1979, havia menos pessoas vivendo na serra e por isso o número de mortos na época foi menor que agora.

Diante da iminência de novos deslizamentos, os geólogos são contundentes ao afirmar que a única solução possível para evitar mortes e danos é a prevenção. "Temos uma sequência de estudos que permitem antecipar a ocorrência disso tudo. O problema é que estamos muito atrasados numa cultura de prevenção". Entretanto muito foi prometido e pouco foi feito.
As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.
Abaixo veja algumas imagens da época, das promessas, o antes e o depois. Como curiosidade também um antes e depois da região japonesa atingida pelo terremoto, de magnitude 8,9, em março passado. Ai é de nos perguntarmos, será que o Brasil anda mesmo essa maravilha toda que a mídia e o governo querem nos vender? E as promessas, ficam apenas nas promessas mesmo? E o 11 de setembro, o que nós brasileiros temos a ver com isto, 10 anos depois, não será mera distração?

Como bem a TV sabe, imagens falam mais que palavras, o texto apenas dá apoio à imagem, então vejam as imagens abaixo - que recebi hoje por e-mail e estou repassando - e tirem suas própria conclusões...

"Seis meses de esperanças levadas pelas águas da corrupção"






Quanto ao terremoto no Japão...




Poesia

"Não existe meio certo, nem meia verdade
Nem mais ou menos, nem meia liberdade
Quando o tema é vida, meio termo não existe
Ou se é feliz, ou se é 100% triste
Os MC nem sabe mais, se pede um drink ou pede paz
Se aqui é Disney ou Alcatraz, se nós é Rouge ou Racionais
Se as mina é puta, ou algo mais
Se a cota é luta, ou tanto faz
[...]

E a cultura de favela, canto enquanto penso nela
Vendo vários ganhando a vida, e vários perdendo ela
Pensando em fama, status, damas, contratos
Sonhos pequenos demais pra mim, vamos voltar aos fatos
É estranho 2009, o inverno é quente, no verão chove
A fumaça engole a luz do sol, enquanto a terra se move
LCD, Kalishnikov, iPod, coquetel molotov
Mulher Melancia, Barishnikov, milhões de sabores...Prove!"

domingo, 11 de setembro de 2011

Daquilo que se reclama


Porque a gente reclama. Reclama de tudo. Se está quente, se está frio, se chove se faz sol.

Daí que a gente reclama quando ninguém nos procura e reclamamos se o celular não pára de reclamar. Reclama da falta de tempo, de vida além do trabalho. Daí reclama de quando tem que escolher entre um monte de coisas pra fazer.

E o pior de tudo é que tem gente que não assume ser assim. Aponta o dedo pros outros, mas esquece de ver o quanto reclama também.

Pois é.

Não, não é Berlim


Helen Levitt, NY 1945

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Baque

Eis uma interessante teoria: desde o fim da ditadura militar e da diminuição do conservadorismo, o número de pais separados cresceu absurdamente. Na época da repressão, ter seus pais com relações matrimoniais cortadas era digno de segregação, ainda que branda.

Durante décadas, o Brasil, no futebol, superou a falta de infra-estrutura com a exploração de potenciais e a ideia do treinamento. 

Nas décadas de 70, (especialmente) 80 e 90, o grande programa entre filho(s) e pai de domingo era a organização das peladas civilizadas, idas aos Maracanãs e Pacaembus. Havia o prazer no esporte, a fascinação, a admiração, a curtição. As figurinhas, as zoações do dia de segunda... Enfim, o pai era símbolo do filho. O algo a se espelhar no papai vinha através da pelota.

Por consequência, a atividade diurna do dia do descanso foi tornando-se mais escassa. De forma comum, com a separação conjugal, as crianças ficavam com a mãe. O afastamento dos pais vem levando uma geração de filhos a terem cada vez menos o futebol com hobby. Por fim, não houve o desenvolvimento do dom, do talento.

Os engenheiros, professores, arquitetos, pesquisadores e lutadores de MMA "tira(ra)m" qualidade de uma safra de jogadores, como ocorreria, dentro da medida em que houve o BUM ecônomico brasileiro. Os interesses brotaram para todos os lados.

Quem sabe, em termos (restritamente) futebolísticos, a camada conservadora que abrangia o poder, não era benéfica?

Já fui macaco, confesso

UH-UH, AH-AH

Penso, olho
Abaixo, localizo
A fruta, avassalo.

UH-UH, AH-AH

Penso, olho
Abaixo, localizo
Papai enjaulado, me entristeço.

UH-UH, AH-AH

Penso, olho
Abaixo, localizo, me indigno
Com o pomar, não mais me sacio.

UH-UH, AH-AH

Penso, olho, imagino
Abaixo, localizo
A cada galho, fico pasmo
Contudo, não confundo o meu passo.

UH-UH, AH-AH

Penso, olho, identifico.
Abaixo, localizo a armadilha
Que não me parece nociva
Mas fico na defensiva
Logo, me vejo na ativa
E lhe atropelo como uma locomotiva
O efeito?
Não tão devagar como a da Cannabis Sativa.

UH-UH, AH-AH

Confesso, já fui menos esperto.
Confesso, já fui mais disperso.
Confesso, já fui um zé-roela, um prego.
Confesso, já fui menos humano.
Confesso, já fui macaco.