terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A ideia era cair matando, mas acabou morrendo cinquentinha

Queria foder, era noite e ela estava de vestido curtinho. Fomos ao parquinho, onde estava escuro, e vi que ali tinha jogo. Levei-a para lá, coloquei sua mão em minhas calças, sussurrei meia dúzia de palavras em seu ouvido e mordi seus lábios. Era gol na certa. Então uma luz nos interrompeu enquanto eu deitava na areia. Era um policial. "É lugar de meter, guerreiro? O que você tem nessa sua bolsa aí, moça?"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Imprevisível deleite?

Capítulo 1

Sente-se. Conforte-se. Dê profundos suspiros. Expurgue pensamentos que possam lhe levar à distração. Distraia as distrações. Afaste-se do computador, da TV, da família e até de outros livros. Encontre a melhor posição para ler, claro. Não se coloque em posição suscetível a um torcicolo. Deve achar, no mínimo, insólito eu estar lhe dando conselhos deliberadamente. Mas tudo se explica, a tudo há um motivo: agora você não irá começar a ler uma atrofiada narrativa de Paulo Coelho. E muito menos de algum outro pseudoescritor que procura obstinadamente por uma saída à literatura, escrevendo de forma superficial e descartável. Peço plenas desculpas aos fãs de Crepúsculo e Harry Potter, mas inúmeros traços débeis e levianos são inerentes aos mais celebrados best-sellers. Não tenho a intenção de massacrar o seu gosto literário, pois somos todos iguais e temos uma história a descobrirmos juntos. Afim de lhe facilitar o deleite das seguintes linhas, que seja explicado que neste enredo, temos três principais personagens: Joaquim, uma jovem da tribo de Onulalí e Joaco. Ao longo do texto, serão esmiuçados vários pormenores em uma  pequena jornada destes célebres e carismáticos personagens. Contudo, cabe à você, meu estimado colega de leitura, dar chance à um jovem escritor. Sou avesso aos escritores que personificam o mundo capitalista contemporâneo, corrompido, dividido, ditatorial, votocrático, alienado e sem espaço para os mais tradicionais romances - os melhores.

O primeiro personagem a figurar na sua imaginação, caro leitor, é Joaco. Joaco jamais temeria queimar sua língua ao dizer que todo humano, que possua ao menos três neurônios ativos, já se sentiu cortejado pela insanidade. Ah, o irresistível charme da insanidade. Engana-se o leitor ilustre, dado ao gênio melancólico e de devaneios, que crê que tais psicoses e outras doidices sejam, exclusivamente, dos possuidores de grande cultura literária e filosófica. Inúmeros já tiveram a sensação de que, apesar de todos os esforços dos muitos anos, continuavam andando em círculos, girando sobre o mesmo ponto, sem nunca o encontrar. 

Joaco sabia que, com todas as divagações, digressões e análises a partir de dados empíricos, não são tantos que ainda procuram por coerência em algum conjunto relativamente complexo de indivíduos, permanentemente associados e equipados com padrões culturais. Tentam as criaturas medonhas lograr todas as  próprias regras e convicções, mas ainda assim continuam à procura de algo que, aparentemente, se auto-denomina - de forma vergonhosa - sociedade. Sim, esta massa pegajosa que ousa se proclamar mundo. Em meio à profundas crises existencialistas, é grande a participação nas meditações dos integrantes da tribo Onulalí destes insensatos seres que, por serem - teoricamente - dotados de maior nível intelectual dentre as outras espécies mundanas, se intitulam donos desta  minúscula esfera armilar que habitam há pouco tempo.

Joaco, onulaliuense, filho de português que, perdido de sua terra natal, algum dia corria por uma linda praia com um tesão extraordinário. Era uma ensolarada tarde de verão e o português resolveu ir arranjar uma garota - não precisava ser linda - de Onulalí para dar uma trepada. Após procuras e tentativas frustradas de descoberta mata adentro para satisfazer suas necessidades sexuais, Joaquim enfim encontrou uma bela jovem de Onulalí. 

De pau gozado e mente sã, o perdido navegante português deparou-se então com a beleza da ilha que havia sido exilado. Jamais poderia ter imaginado existir coisas daquele tipo. E, caro leitor, não falo das bocas carnudas da Onulalí. Não do olhar "pseudoinocente". Muito menos de seus fabulosos e esculturais seios marrons, que estendiam-se firmes e perfeitamente redondos.  Preste atenção, não perca o foco. Quando ler, tente não visualizar a delicadeza do rosto da pura Anita. Clamo pela sua atenção. Pare de imaginar os olhos da jovem, mais escuros que a noite, que perfuravam qualquer tipo de entranha que ousasse tentar resistir às tentações que apenas uma mulher poderia proporcionar. Os cabelos, escuros, nem se fala. E que cabelos longos eram aqueles. Dignos de puxões veementes, paixões arrepiantes e de uma suave brisa para esvoaçá-los. A vegetação do local (não da vagina da moça, meu amigo leitor) era de vivaz exuberância. Não se havia certeza se era apenas a reflexão da luz do sol nas folhas e nos troncos que embelezavam o lugar. Entraram na disputa a clareza das águas do rio, puro, e também um oceano, logo ao lado do rio. Mas não um oceano qualquer. Este, era feito por grãos. Grãos de areia. Brancos, mais brancos que a única nuvem que ousava dar as caras naquele belo dia. Contudo, Joaquim sentiu falta de uma coisa e não sabia bem o que era. Sentia um vazio que se propunha como insuperável e impossível de ser identificado. Mais uma vez suas reflexões o faziam sérios, conflituosos e atraentes convites ao caminho da insânia.

Olhando para o lado e vendo a bela mulata dormir de forma angelical, em paz, sobre as largas folhas de uma grande bananeira, Joaquim - movido pela sua insaciável ansiedade - resolveu andar. Caminhar e pensar. Pensar e tirar conclusões. Tirar conclusões e sanar a curiosidade que o levava ao ruim pensamento. Obviamente é este o que você, caro leitor, pensou ser o caminho mais curto. Tal raciocínio seria excelente, se exato.  Sinto em dizer que falhou aqui sua proverbial sagacidade, caro leitor. 

Chegamos ao quinto ou sexto parágrafo e você (sim, você!) ainda está lendo o romance. Como se sente? Está ficando cansado? Com vertigem? Tonto? Talvez com dor nas têmporas. E não fique bravo comigo, é o seu irmão que está articulando pilhérias ao seu lado. Vá logo. Feche a porta na cara dele. De preferência o avise que não está lendo algo qualquer. Está batendo um papo com algum desconhecido, de fato, e que insiste em tagarelar e não continuar a narrar o enredo. Mas conte-me, estou ansioso: o que pensa disso? Por mim, adoro conversar com você, superestimado leitor. Para algumas pessoas meu diálogo com quem lê, contrário às regras ortodoxas, os fará perder o interesse pelo romance. Erro evidente e ingênuo. Tenho certeza absoluta de que está ansioso pelo desenrolar da estória. Mas acalme-se meu amigo, tenho profundo conhecimento do que sente. Um misto de frustração por estar lendo um romance que se prende constantemente à uma conversação peculiar e insólita com a cada vez mais esvaída empolgação de querer saber o que o porvir lhe espera nas próximas linhas.

Mais inesperado que este parágrafo acima, apenas o que ocorreu ao nosso personagem português: nada. Sim, caros colegas de leitura. Nada, não aconteceu nada. Coisa chata, não? Talvez o amável Joaquim não estivesse tão concentrado. Há certa probabilidade de que ele apenas não havia reunido, suficientemente, um número necessário de informações em sua audaz mente. Ávido por novas descobertas, conclusões e olhares boquiabertos, Joaquim não se retrai quando se depara com alguns obstáculos, mesmo que estes sejam internos. Atrelava à sua pequena bagunça as indagações aleatórios como de onde decantam os sonhos e de quem é a culpa pelo mundo obtuso que costumava habitar. Sim, claro, confuso e desnecessário para o desenvolvimento do raciocínio inicial, começado quando deixou a bela morena deitada em sono profundo. Não fique chateado, também aguardo pacientemente pelo que Joaquim nos mostrará.

Conquanto, cabe agora revelar qual o real objetivo de seu pequeno passeio pelas mais profundas e abstratas perturbações. Simplesmente, Joaquim queria exorcizar os mais impactantes demônios que corroíam e putrefaziam suas sustentações psicológicas e viscerais. Não se tratava apenas de trazer à consciência as recordações recalcadas. Precisava se libertar do sentimento que, lhe é ainda bem vigorosa, de repressão.

Porém, retratando desta maneira a situação fica mal esclarecida, vaga e superficial, quase vil. Esta caminhada, ocorrida ao lado do barulho (ou será o silêncio?) da quebra das ondas da praia de uma ilha quase deserta, se passa em meio à uma situação de penumbras, em Portugal. Dois anos antes, 3 meses antes de seu nau naufragar, a Europa passava por enormes transformações no contexto político-econômico. O sistema, já não mais dominados por um déspota, passou a ser ligeiramente mais igualitário, de fato. Todavia, isto deu abertura a uma nova classe, a da burguesia. Assim, o capital e o desejo ardente por consistências materiais tornaram-se os objetos de maior manifestação ativa. As ruas escuras, locais de penumbra, onde os sábios se recolhiam, passaram a ter a situação piorada. A partir dali, em geral, os estudiosos começaram a ter menos valor que os estúpidos. Joaquim ficava extremamente confuso com o fato de que vivia num lugar onde se deseja o progresso construindo menos estradas e mais muros; se tolera a miséria, o crime, as guerras, mas se repudia o amor entre os do mesmo sexo.

Em suma, eis a questão exposta a todos nós: as tentativas frustradas de Joaquim ao tentar entender o mundo raquítico em que viveu durante mais de três décadas de sua vida, aonde ou se é desnutrido de corpo ou de espírito. Jamais toleraria uma concepção de mundo como esta. E o pior de tudo é que estava sozinho, literalmente. Sentia revolta e pena, não só pelo seu eu passado, mas também pelos vizinhos, pelos amigos e pela família.

Mediante consistente intangibilidade de uma aparente utópica resposta, não superou sua comoção aflitiva que possuía o receio de que este algo, tão esperado, se sucedesse. Cansado intelectualmente e observando o iminente pôr do sol, decidiu por voltar ao local em que havia gentilmente deixado a rapariga olulaiuense. Aproximando-se do corpo da mulher, já não mais adormecido, a conclusão da busca de sua catarse, quase deu-se equivocadamente, já que o frêmito de um coco caindo de um coqueiro interrompeu as ações psicanalíticas de Joaquim.

Os ponteiros de segundos e minutos do relógio de bolso de Joaquim brincavam como duas crianças com um pião, e avançavam de forma sedenta até que não se pudesse ver a luz do sol. Dali, nosso personagem português se viu perdido. Não havia ninguém. E estava sem a moça. Tinha os pés na areia, ouvia as ondas baterem e o grilo cantar. Ademais, um silêncio estonteante. Só enxergava mato. Coqueiros destoavam do visual que tinha no momento, pois a pequena floresta já havia se transformado num grande lamaçal. Mas, é claro, isso aconteceu porque chovia muito. Perdão pelo esquecimento.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mais um clichê

É clichê
Eu sei
Todos criam por mulheres
Tal éter
Que inebria o inspirar

Ah, a arte ingrata
Tento no curto e grosso
E sobre curvas fico sem caprichar
O desenhar da mulher
Que quero lhes apresentar

Tal como uma ilusão desconhecida
Ela gosta de andar na ponta dos pés
Sussurra as gírias
Bebendo e sambando
Espero um dia poder deitar para dormir
E respirar aliviado
Pois penso a agonia da distância
Afinal, mal nos falamos
E já escrevo pensando em você

Rezo para que possamos nos conhecer melhor
Que olhe em meus olhos
E que dê um sorriso discreto

És uma cachaça,
Não negue,
Me deixa ébrio!
Parece que lhe conheço faz tempo
Mas apenas nos vimos semana passada

Lá o tempo corre depressa
Lá nem sei seu sobrenome
E já estamos juntos lá
Num poema de Vinícius

Seu perfume e flor
Me provam que não és apenas uma paixão
Mas sim uma viagem
Que me desloca para águas de outro mar
E que o céu seja aí
Pois quando te vejo
A vivacidade é o meu desejo