Por que é necessário à minha vida aprender Física? Por que o meu sucesso futuro depende das aulas entediantes de Biologia? Por que sou forçado a acordar todos os dias às 6h quando poderia render mais se levantasse às 10h? Por que não posso apenas me ater à arte e viver dela? Por que o dinheiro há de reinar? Por que é adotado um sistema baseado no dinheiro? Por que uma pessoa é considerada melhor que a outra pelo que consome? Por que não vemos a valorização da arte e da liberdade de expressão? Por que o dinheiro é a chave para a sobrevivência? Por que o sistema me impede que a minha vida seja custeada por livros, músicas e filmes? Por que tenho que pagar por tudo? Por que o capital é necessário? Por que não posso ir à França sem um tostão? Por que me falaram que o público é de todos, quando não é? Por que me impuseram a falsa verdade de que posso ir aonde quiser, quando quiser, se quiser? Por que a minha vida há de ser semelhante à dos outros, tendo que passar pela mesma coisa? Por que existe o vestibular? Por que não se faz que nem na Argentina, em que não precisa-se pagar para entrar, nem fazer uma prova, apenas se manter no curso (que é de alto nível, diga-se de passagem)? Por que tenho que redigir uma redação extremamente mecanizada, para ter uma nota julgada por uma banca de professores que já leram e revisaram dezenas, quiçá centenas de textos no dia e que estão exaustos de tanta correção, para passar no vestibular? Por que não nos é requisitado inovação e brilhantismo? Por que transformaram toda a nossa vida num rígido protocolo? Por que a minha vida não é de minha posse? Por que o dito Estado manipula a situação de todos? Por que tenho de me preocupar com a função química do paracetamol se quero ser escritor? Por que falar de geopolítica se quero estudar Psicologia e entender o ser humano? Por que tudo nos lhe é imposto sem nem nos perguntarmos o que desejamos ou não? Por que essa inércia toda? Por que acatamos tudo de maneira tão submissa? Por que consentimos com isso? Por que tanta nojenta incoerência passa por despercebida por nós e tudo continua na mesma? Por que muitos estão aí parados, querendo ser engenheiros? Por que querem ser só mais um? Por que não tentam mudar o país, o sistema? Por que se escondem por detrás de tanta covardia, tendo entendido minimamente como funciona o sistema? Por que esquece das suas aulas de História? Por que os cursos de humanas são menos valorizadas que os de exatas? Por que não formamos muitos pensadores e apenas verdadeiros escravos cegos fazedores? Por que mais operários e menos articuladores? Por que um prédio é mais importante que um livro do Julio Cortázar? Por que leu o nome desse genial autor e não o reconheceu? Por que nosso ambiente de vida nos causa horror? Por que encontramo-nos petrificados, de forma irreparável? Por que temos de viajar para inventar o futuro espacial e idealizar outras versões de novos eus? Por que a música de verdade não é mais o mainstream? Por que diabos nos afastaram das improvisações guardadas em um disco, do timbre de uma voz, dos produtos de uma hora feliz? Por que há a vulgarização da música? Por que o bom é ruim? Por que alucinações, relfexões e divagações feitas sob um céu limpo, sem prédios, cheio de estrelas não são mais valorizadas? Por que o que é de belo na vida não é o mais importante? Por que a grande onda que carrega nós, nadadores, corre sobre o oculto dorso das areias? Por que tantas indagações atingem um grupo tão ínfimo de poucas pessoas? Por que nosso sofrimento é este regozijo contínuo de querer vencer o outro? Por que não nos fixamos em ser o melhor de nós mesmos, e não o melhor do outro? Por que é chato e entediante ler um escritor tagarela e azucrinado por suas meditações baseadas em fantasias e devaneios? Por que gênios ainda são inócuos perante o sistema? Por que usamos tantos eufemismos? Por que a verdade está sempre tão distante? Por que o superficial está tão contíguo a nós? Por que de forma não mais tão espantosa, assuntos supérfluos tomam conta de não só um, mas vários, mares de gente? Por que nos tornamos cada vez mais pessoas robotizadas? Por que não sentimos vergonha de um passado, sim indelével, e não fazemos de nada para mudar o futuro? Por que os pensadores sentem-se deslocados, fora do trato social? Por que não somos todos um conjunto harmônico, só de irmãos, cuidando uns dos outros? Por que tacamos fogo numa pessoa por ela ser um índio? Por que educamos crianças ineptas ao convívio em sociedade? Por que tenho credibilidade com você? Por que conclui de forma árdua, me aguentar e ler esse texto inteiro? Por que não parou na metade, no meio de tantas perguntas que certamente não serão nocivas aos planos dos deuses da política e do dinheiro? Por que me sinto covarde e impotente? Por que não me questionou, antes de começar, o motivo de ler esse texto? Por que a esse ponto considera estar perdendo seu tempo com minhas palavras, além de reputar-me como ingênuo e sem a malícia necessária para um revolucionário? Por que diabos te sequestrei para conhecer um pouco mais de minha embriaguez inocente? E aí, já se perguntou porquê?
terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Pausa para reflexão
RODOLFO ROGER
Já reparou que algumas religiões funcionam exatamente como drogas, em todos os seus aspectos?
Primeiramente, elas, essas religiões, aparecem como uma solução para o
seu problema. Você vai a um templo religioso, normalmente convidado por
um amigo ou conhecido, e lá você sente uma sensação de paz, alegria e
prazer jamais percebida. Frequentar tal lugar passa a ser um hábito.
Segundo: depois de um tempo, você é convencido de que se você doar quantias em dinheiro, normalmente 10% de sua renda, uma entidade superior, nesse caso, Deus, lhe dará em dobro. Com o tempo, isso passa a ser um hábito, que posteriormente torna-se uma obrigação, podendo a pessoa ser proibida de adentrar certos templos caso não paguem o que devem. Existem templos que emitem boletos para as pessoas pagarem, como o do Pastor RR Soares.
Certo dia, passando pelos canais da minha tv, vi um anúncio da igreja do Apóstolo Valdemiro pedindo para as pessoas depositarem a quantia de R$ 156,00 na conta da igreja. Disseram que, em caso de dúvidas, os interessados deveriam ligar para o número (11) 34883050.
Vem cá, por que não pedem para os frequentadores levarem alimentos, brinquedos ou roupas para serem doados para pessoas necessitadas? Segundo a história, Jesus nunca pediu dinheiro! Ou seja, assim como os usuários de droga, que, em alguns casos, encerram-se em grupos onde o único a obter lucro financeiro é o "chefe da boca", os frequentadores de certas religiões também se fecham em grupos onde o único a obter lucros financeiros (se não o único, é certamente o que mais obtêm) é o dono da instituição.
Assim como os usuários de drogas, muitos fiéis são vistos apenas como consumidores. Assim como os "chefes da boca", os pastores donos de certas instituições religiosas moram em casas luxuosas.
Assim como o uso excessivo e contínuo de entorpecentes, certas religiões limitam o raciocínio.
Assim como a droga, que lhe afasta das pessoas e por conseguinte, de Deus, certas religiões fazem o mesmo ao cobrarem dinheiro de seus seguidores, por julgarem "pecadores" os que não fazem parte ou seguem seus preceitos, ou simplesmente discordam dele.
Religião vem do latim, e significa, à grosso modo, religar-se, nesse caso, a Deus.
E eu não consigo entender como alguém pode se julgar próximo a Deus separando-se de outra pessoa, sem praticar as coisa mais simples e difíceis, que são a caridade e o respeito. Orar, dizer palavras bonitas, passar horas em cânticos reticentes NÃO SIGNIFICA NADA se você não pratica o bem. É como drogar-se para esquecer um problema! De nada adianta se você agir, não estudar, não questionar.
Não concordo com esse modelo mercadológico em que a religião se transformou.
Vida a dois
CARLOS EDUARDO NOVAES
Juro que nunca entendi bem este casamento do Capitalismo com a Democracia. É claro que ambos precisariam encontrar um parceiro diante da impossibilidade de tocarem suas vidas, sozinhos. O Capitalismo é um sistema econômico e depende de um regime político que o mantenha de pé e lhe permita ganhar dinheiro. Já a Democracia é apenas uma boa moça que necessita de alguém que a sustente e pague suas despesas.
Digamos que o Capitalismo entrou em um desses sites de relacionamento de casais e deu de cara com a Democracia.
- É com essa que eu vou! - berrou o Capitalismo.
Casaram-se e, como acontece nos casamentos, os primeiros anos foram de juras de amor eterno. Com o tempo, porém, as crises começaram a pipocarr O Capitalismo sempre foi um tipo instável, temperamental, sem princípios sólidos, que gosta de caminhar sobre suas próprias regras. A democracia por momento chegou a pensar que ele só se casara com ela para desfrutar do seu ideal de igualdade.
Tiveram dois filhos, a Bolsa e o Mercado. A Bolsa saiu ao pai, um temperamento ciclotímico e um comportamento cheio de altos e baixos que provocou uma crise monumental em 1929 e quase levou o casal à sepração. O Mercado, filho querido, cresceu e passou a tomar os negócios do pai. Ganhou fama, e sempre que surgia um problema, alguém gritava: "Deixa que o Mercado resolve!". Às vezes, o Mercado metia os pés pelas mãos, o pai entrava em crise e logo chamavam a mãezona.
Nos primeiros anos do século passado, um casal gay - Comunismo e Totalitarismo - instalou-se na casa ao lado, separada por um muro, e passou a infernizá-los. Barbudos, mal encarados, não havia um dia que não aparecessem na janela para xingar os vizinhos. FOram mais de 70 anos de difícil convivência, uma guerra surda (chegou a ser fria). Até que no final dos anos 80 o muro veio abaixo. Sua queda expôs a indigência da casa desmascarando as bravatas do casal gay (que se mudou para uma casinha no interior de Cuba). O Capitalismo soltou foguetes.
Não demorou muito, em 1997 - menos de 10 anos após a queda do muro - Bill Clinton, o afilhado preferido do Capitalismo, alertou o padrinho para não ir com tanta sede ao pote.
- Eu quero é mais! - bradou o pai do Mercado, se sentindo dono do mundo.
Não deu outra: jogando solto, sem ter que dar satisfações a ninguém, o Capitalismo perdeu a noção de limite a acabou mergulhando em uma crise existencial que parece não ter fim. A Democracia achou que deveria alertá-lo para o descontrole nas finanças do casal.
- Você não se mete - disse ele - Você não entende nada disso!
Hoje ele respira por aparelhos. Uma junta médica reunida em Davos para diagnosticar seus males admitiu que para recuperar a saúde (e o prestígio) o Capitalismo teria que promover mudanças profundas no seu comportamento. Sua mulher tenta ajudá-lo:
- Você precisa ser mais humano, mais solidário, mais preocupado com o meio ambiente. Deixar de pensar tanto em dinheiro, ser menos ganancioso...
- Como? - reagiu ele, certo de que não vai morrer - Se eu mudar em tudo que estão me pedido vou deixar de ser o Capitalismo! É isso que você quer? É isso?
A Democracia não respondeu. Virou-lhe as costas e saiu resmungando:
- Eu devia ter me casado com o Socialismo!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Música, poesia e imagem
A música é melhor que a poesia, por unir som e poesia. Logo, uma música com poesia é melhor do que uma que é só música sem grandes letras, que por sua vez é pior do que uma poesia. Se formos pensar um grau à frente, têm-se o aspecto da imagem. Unindo poesia e imagem, cria-se o quadrinho. Imaginando mais adiante ainda, engendremos a união de tudo: imagem, música e poesia: surge o cinema. Contudo, o cinema é de difícil acesso. Não só para criar um filme (fazer uma música é mais fácil. Um quadrinho então, nem se fala), mas também você necessita de um VHS, agora DVD, ou algo semelhante. A música não, um simples CDPlayer, agora MP3, e pronto! O quadrinho, mais ainda: é só abrir o livro.
Ter ciência
A partir do momento de meus primeiros suspiros estou num gradual processo de "sobriamento" de ideias e atitudes. Desde moleque, assustava coleguinhas com frases ofensivas e aterrorizava professoras com perguntas de ébria malícia. Em certa ocasião, em um dia de aula, a tia tinha liberado os alunos para ficarem conversando antes do sinal do intervalo tocar. Era venerado pro futebol e não perdia a chance de fazer a pelota rolar. Logo, estava ansioso para o início do recreio. Para fazer o tempo passar mais depressa, procurei alguém pra bater um papo. No meio de uma conversa oriunda de um assunto desconhecido, perguntei a idade do meu colega. Disse que tinha x anos (o mesmo que eu, na época). Perguntei em que mês havia nascido e respondeu que sua mãe o tinha parido em junho. Empolgado, exclamei que viveria mais do que o sujeito, porque o dia em que nasci é em julho. E, como toda criança tem o costume de tirar sarro da outra, repiti seguidas vezes que ele morreria antes de mim. Conclusão lógica: lágrimas e "Tiaaaaaaaa!". No canto, fui chamado para uma conversinha. Me indagou o motivo de falar que o garoto iria morrer. Esmiucei a situação e falei que não era bem assim. Que eu apenas havia dito que eu viveria um mês mais do que ele. Sucedeu-se um esporro recheado de eufemismos de que não me recordo direito, falando que não era a data de nascimento que marcava a de falecimento também. Revoltado, tentei explicar que pra mim era assim e pronto! Consequência: sem recreio e sem bola. Um absurdo! Jamais passaria pela minha ambiciosa - mas presunçosa - mente tal suposição esdrúxula de que meus preciosos minutos chutando a redonda e criando confusões para os inspetores, seriam trocados por momentos tão vagarosos e maçantes como aqueles na sala da tia.
Não era idiota. A começar do dia seguinte, comecei a conter minha aflição, pois já sabia que poderia qualquer ação exaltada poderia custar os mais voluptuosos instantes que um dia comum de semana poderia me oferecer.
Em breve, mais capítulos.
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