terça-feira, 31 de julho de 2012

Germinal!

Gigi Damiani

Pelo calvário da vida novos Cristos sobem a montanha, dominados por uma mística esperança, deixando partes de sua carne nos espinheiros que bloqueiam o caminho; morrem sob o peso da cruz.

Mas as piedosas virgens de Jerusalém não acorrem para derramar lágrimas por esses pioneiros da justiça, como o faziam para os rabis da Galileia, e quando, exaustos, caem sob a cruz, nenhum Cireneu se dá o trabalho de ajudá-los.

O povo os olha silencioso, imbecilizado pela secular escravidão, sem chegar a compreendê-los. As pessoas cultas os chamam de maníacos, a multidão de mercenários acusa-os de malfeitores. E eles sorriem para os carrascos e a tortura, para os caluniadores e as acusações; sorriem e caminham, caminham...

"Para o nada!", gritam os novos doutores de Salamanca.

"Para o futuro", respondem os mártires da liberdade.

E caminham...

Eis que chegaram ao cume.

Esperam ver nascer o sol dos novos tempos; inútil esperança...

Sob o céu cinzento, se adensa a tempestade, o horizonte está escuro...

Olham ao seu redor... buscando...

Mas os poucos que se disseram seus companheiros, que na luta juraram segui-los, já estão longe, derrotados pelas torturas, mortos pelo sofrimento, dispersos pela tormenta... E agora?!

O carrasco, porém, está próximo: os fariseus exultantes de alegria estão lá perto... E agora?!

Agora o mártir se transforma em rebelde, desvencilha-se da cruz, levanta a cabeça e fixa orgulhoso os carrascos... e...

E investe sozinho contra todos.

Lá, onde esperaram encontrar conforto, descanso, foi elevado o patíbulo.

Assustados, os carrascos por um instante temeram que a massa tomasse o partido desses audaciosos rebeldes, mas a massa não se manifestou, embrutecida pelo hábito de servir. E depois Judas descera no meio da multidão e, debaixo das colunas do Pretório, gritara: "Calma, calma, não se deixem entusiasmar pelo ato desses românticos..."

Mas os românticos sorriram, na intuição de novos tempos, e quando a estrela-d'alva surgiu, prenunciando o alvorecer, com um sorriso ofereceram a cabeça ao carrasco.

GERMINAL!

Quem lançou este fatídico grito à multidão, quem lhe deu tanta força sonora a ponto de fazê-lo ecoar por todo o mundo?

Foi concebido por um homem, inspirado por um partido? Não!

É precisamente ele a fórmula da hora de sangue iminente; é a palavra que encerra todo o conceito a filosofia inovadora; é o grito da esperança, o hino da liberdade, o grito da batalha.

Germinal!

Por que os tiranos empalidecem, por que as plebes levantam a cabeça?... Todavia, é apenas um grito!

Mas no ar, nas coisas, em tudo, passa o frêmito das horas que correm e, irrigada pelo sangue rebelde, a flor da justiça já está germinando.

Podes gritar o quanto quiseres, Iscariotes:

"Calma, calma: não deem atenção aos românticos..."

A multidão já não te escuta, levanta-se e presta ouvidos à exclamação suprema do homem que morre pela Ideia:

GERMINAL!

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