Composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Garota de Ipanema marcou época e talvez seja a canção brasileira mais conhecida mundo afora. Contudo, isto pode mudar. Hoje, 40 anos depois, o hit do momento é a música "Ai se eu te pego", Michel Teló.
Antes de qualquer julgamento sobre a disparidade da qualidade de ambas as canções, gostaria de me atentar a uma coisa: o que fez os compositores citados se inspiraram a fazerem as respectivas letras? Rapidamente, respondo: "Com uma ereção é claro!" Enquanto Vinícius se inspirava na beleza inocente de Helô Pinheiro, que aos seus 17 anos andava distraidamente pelas areias quentes de Ipanema, Teló deve ter sentido algo semelhante com alguma marombada de silicone por aí numa boate da vida.
E é esta a principal diferença dos letristas e, principalmente das épocas em que estão inseridos: Vinícius e Tom sabiam como lidar e desenvolver uma bela letra após se sentirem atraídos por uma jovem mulher. É a diferença da capacidade de cada um que coloca os indivíduos nos seus respectivos patamares.
Caso for necessário estabelecer algum tipo de paralelo entre as músicas, segue o link com letra e vídeo.
Por isso, me indigno. Como uma dita "música", composta por uma dúzia de palavras que são, no mínimo, grotescas pode vir a ser um sucesso mundial nos dias de hoje? Tem até versão em inglês! Ora, mas Garota de Ipanema também foi reconhecida (merecidamente) internacionalmente com direito a versões cantadas por grandes da música como Frank Sinatra, Mariza, Cher, Madonna, entre outros. Este é o ponto crucial: esta geração aceita qualquer merda. Escuta qualquer coisa, desde que esteja na moda. Os níveis de exigência estão lá em baixo. Certa vez, um amigo meu vasculhava meu mp3 - que continha boas músicas de rock, só que algumas em um tom um pouco mais alternativo - e ele disse que não gostou delas, disse que eu só tinha música "estranha". E perguntei, "São 'estranhas' por que a maioria dos adolescentes brasileiros a ouvem?". "Sim" foi a resposta. Então porra, quer dizer, o grau de qualificação de músicas são medidos pelo número de ouvintes. E não falo da qualidade dos ouvintes, se ouvem boas músicas ou não, e sim da quantidade.
Às vezes me pergunto o que aconteceu?? Digo, não vivi em 62. Não escutei discos de vinil, não compro revistas pra saber do que rola pelo mundo. É tudo online agora. Atualmente, o problema é que muitas pessoas, que a partir, principalmente, do momento em que entram na puberdade, começam a perder cada vez mais a autenticidade e constroem suas vidas na rede. Então o cara não sabe aproveitar o mundo que tem, que é a Internet. Em muitas ocasiões, colegas e amigos, chegavam pra mim no Messenger num domingo de frio e chuva e diziam que estavam completamente entediados. E me pergunto, o que tem no computador dele? A web dele é limitada a vagalume, 4shared, facebook e msn?
E fico com indagações no ar. Sem querer generalizar, porque tudo tem as suas próprias exceções, mas o que aconteceu de errado com essa geração? Como se chegou a isto? I mean, wtf, man!?!?!? Tem muito moleque de 12, 13 anos aí que é fã de banda pela Wikipédia. Sabe a carreira toda dos caras apenas pra dizer e se colocar como superior à "ralé". Por isso, o que mais tem hoje são crianças no limbo musical, que não sabe o que curte. Escuta o som, a batida, a letra e fica indecisa e por fim acaba escolhendo o fluxo, o que tiver mais gente ouvindo e comentando.
Cara, isso é patético.
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