Encontro-me deitado na cama - preferia uma rede, aquela brisa cairia bem, mas enfim - naquele pós-almoço na intenção de tirar um ronco, de fato. Como de conhecimento popular, este é o tipo do momento em que a sua cabeça vai a mil, pensando em tudo quanto é coisa, desde a indumentária da Alessandra Ambrósio na Rio Fashion Week à preocupação com qual das flatulências, causadas pelo moleque feijão, geram mais odor.
Dentre idas e vindas, um assunto está à tona, sem o menor indício de explicação: empregadas, e as que foram presentes desde que me tenho como pessoa. Não lembro de todas, mas de muitas.
Vejamos: tal uma trabalhava na casa de minha vó. Não tenho muitas lembranças desta, apenas guardo comigo a certeza que uma ocasião levou seu filho (que não possuía o conhecimento do falar de palavra alguma) ao serviço e certa hora, a do pagamento, a criança soube dizer "din din!!".
Hum, teve a Joana, essa é clássica, do roubo de dinheiro.
Lembro da que sempre fazia um migué para não ir trabalhar. Saí foi manjada rapidamente.
Lembro da que sempre fazia um migué para não ir trabalhar. Saí foi manjada rapidamente.
Outra era abusada ao extremo, via TV na sala na hora de passar roupas e no seu almoço. Cara de pau do caralho! Mamãe, do jeito que é, filha de vovó, logo esquentou a cabeça com a humanóide e tchau pra ela.
Engraçado, encontrar um estereótipo com nome para alguns projetos de seres humanos que encontramos sociedade afora.
É, Papai do Céu, suncê em meados de seus desígnios errou na mão e fez essa aqui: meu brother biológico tinha algum problema bad nos ossos e, logo num momento não tão bom economicamente pra mãe, necessitava de um certo tipo de leite - caro - que era rico em alguma parada doida, de repente cálcio. Consequentemente, ficou a advertência para não haver o usufruto da substância por parte da sequela lá. Isso eu moleque de cinco ou seis anos. Chega a coroa em casa, do trabalho, e tá o esboço de mulher tomando Nescau e pote do leite em pó em cima da mesa. Claro, rolou mó broncão. A reação da doméstica? "Mas que miséria hein?! Por causa de um leitezinho de merda!" e tacou pela pia o resto do leite e o que estava no pote, no lixo. Meu cumpade, e a vontade de voar no pescoço? Porra, passando mó perrengue pra pagar umas contas e sustentar a família, ainda ter que presenciar esta merda? Sorte que mamãe não era tããão vovó. Pensou na "ação e reação". Só falou: "Rua, querida".
Originalidade não faltou também àquela analfabeta. Lembro da temerosa sensação da possibilidade de ingerir Veja, como se fosse suco, na refeição. É NEGUIM, TEM UMAS QUE SÃO BRABAS!
E... o sono? Tio Morfeu tá chegando... Vamo que vamo e me abraça!
Mas diga-me, seu Eu-lírico, what the fuck was happenin' during these last few minutes?
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